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streaming cresce no Brasil e disputa com TV a cabo

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Em 2013, a Netflix e House of Cards popularizaram a palavra streaming entre os brasileiros. Seis anos depois, parece quase impossível não falar sobre o assunto. Em pouco tempo, essa forma de distribuição de conteúdos audiovisual tomou proporções gigantes no país.

De acordo com dados do estudo The State of Mobile 2019, o Brasil é o segundo país do mundo em horas gastas com streaming, atrás apenas da Índia. Entre os serviços mais utilizados, estão Netflix e Globoplay. Esses dois canais se juntam a diversas outras opções, que abarcam filmes, esportes e seriados.

Nos próximo ano, o mercado tende a ficar ainda mais robusto, com a chegada do Disney+ e da Apple TV+. Ambos os serviços já anunciam produções de impacto na cultura pop, com atores e personagens de peso.

Avanço

O avanço de streaming começa a provocar impactos no consumo de entretenimento no Brasil. Enquanto os serviços on-line estão em tendência de alta, a TV por assinatura segue em caminho oposto. Em um ano, cerca de 1,3 milhão de acessos foram cancelados, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) – os números não levam em conta o uso ilegal desse tipo de serviço, o conhecido “gato net”.

O (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles, estudou os dados da Anatel referentes ao Distrito Federal. A capital segue a tendência nacional de quedas nos números de assinaturas. Em julho deste ano (última atualização), o DF tinha 446.461 acessos ao serviço. Em julho de 2018, eram 474.707, totalizando uma queda de 28.246 assinaturas (5,95%).

Na última quinta-feira (05/09/2019), o advogado Guilherme Luz, 35 anos, aderiu à estatística. Ele reduziu o plano de TV por assinatura para o mínimo possível, priorizando o uso do pacote de dados, necessário para acessar Netflix e outros canais.

“Deve ter uns quatro ou cinco anos que comecei a efetivamente pagar por serviços de streaming. Achei a proposta inovadora e bem interessante, já que podemos ter acesso a todo o material disponível na plataforma sem propagandas ou espera por novos episódios semanalmente”, justifica Guilherme. Atualmente, ele gasta cerca de R$ 40 com esse tipo de entretenimento.

Arte/MetrópolesArte/Metrópoles

Facilidade

Para Alexandre Kieling, professor e pesquisador na área de comunicação da Universidade Católica de Brasília (UCB), o mundo do entretenimento está em período de transição. “É uma mudança na cultura contemporânea, as pessoas estão sempre em deslocamento e, constantemente, conectadas. Assim, o streaming facilita a vida, liberta o conteúdo do suporte estático. [Ele] pode ser visto em qualquer lugar. É a alforria do conteúdo”, analisa.

Chefe do departamento de Cinema, Rádio e Televisão, da Universidade de São Paulo (USP), Almir Almas reforça que apps como Netflix e Amazon Prime têm ganhado força no Brasil, porém, ressalta que ainda estão restritos a uma parcela relativamente pequena da população.

“Historicamente, o modelo brasileiro é baseado na televisão aberta, que atinge entre 80% e 90% da população. Os canais por assinatura nunca superaram a faixa de 15% dos telespectadores. Eles têm caído, mas sobrevivem porque as pessoas mantêm a assinatura por causa do pacote de dados de acesso a internet. A grande revolução está para acontecer com a introdução do 5G.”

Essa tecnologia, por exemplo, permitira o acesso a internet móvel de alta velocidade. Os primeiros leilões de banda 5G estão previstos para ocorrer em 2020.

Conteúdo exclusivo

No Emmy 2019, considerado o Oscar da televisão mundial, diversas produções são oriundas do streaming. Entre elas, Bodyguard, Ozark, Fleabag, The Marvelous Mrs. Maisel e Boneca Russa. Amazon Prime Video e Netflix lideram as indicações dos seriados digitais.

Divulgação
Fleabag é uma produção da Amazon Prime Video

O conteúdo, associado à praticidade, tem sido o grande atrativo dos usuários de streaming. “Gosto do catálogo de filmes, documentários e séries como um todo, sempre com lançamentos e acesso a filmes estrangeiros não americanos. Destaco Roma [vencedor do Oscar 2019] e Lázaro Feliz”, diz Guilherme Luz.

Para Alexandre Kieling, a boa repercussão do conteúdo desses produtos está ancorada no resgate de nomes fortes da indústria do entretenimento e no uso de dados sobre a preferência dos telespectadores.

Eles estão contratando gente com grande percepção estética, mas, como ainda se encontram em uma curva de aprendizado, usam os dados para entender o consumo e a monetização. Mesmo assim, boa parte do conteúdo está na percepção estética dos produtores

Alexandre Kieling

Almir Almas entende que ainda não existe uma linguagem de TV própria do streaming. “A única questão que se pode pensar nesse sentido é que o serviço permite maratonar a série de uma vez. Mas isso está ligado ao uso, não ao conteúdo”, conclui.

Jornalismo de dados
O levantamento mostrado nesta reportagem foi feito com a análise de dados públicos. As informações foram disponibilizadas pela Anatel e compiladas pelo (M)Dados. A limpeza das referências e a análise foram feitas em SQL e OpenRefine. As informações estão disponíveis no site da agência reguladora.

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