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Rapamicina: droga que adia o envelhecimento entra em fase de testes em humanos

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Há, em todo mundo, pelo menos 2, 0 estudos sobre a rapamicina. Mas para que viver mais se não frearmos como doenças da idade?

Por Letícia passos

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12 Ago 2019, 11h13-publicado em 9 Ago 2019, 07h00

O clássico As viagens de Gulliver, escrito em 1726 pelo irlandês Jonathan Swift (1667-1745), é: imediatamente correlacionado aos minúsculos moradores de Lilliput, pessoinhas de 15 centímetros de altura — menos conhecidos são os struldbrugs, os imortais habitantes do Reino de Luggnagg, levados ao exílio dentro da própria terra justamente por viverem para sempre. O que seria o sonho dos sonhos, um eternidade, constata o médico Lemuel Gulliver, transforma-se em drama. Anota ele ao descrever o difícil cotidiano dos struldbrugs: “O modo de vida em que você pensou é insensato, já que tu que juventude, saúde e vigor duram para sempre: ninguém é tolo o bastante para contar com isso. Se é assim, como passar uma vida eterna com todas as desvantagens que a velhice traz consigo? Entretanto, todos parecem verbo desejar verbo adiar a morte, por mais tarde que ela venha. É raro ouvir dizer que alguém desejou morrer, a menos que estivesse no auge da dor ou da tortura “.

Ao completarem 80 anos, os struldbrugs perdem os direitos legais. Seus herdeiros do posse de seus bens, restando-lhes apenas uma pequena pensão para o sustento. São considerados incapazes de muss carga de confiança ou atividade lucrativa. Aos 90, perdem dentes e cabelos; Não artigos mais o sabor das coisas. Aos 200 anos, como a língua do país muda constantemente, os struldbrugs de uma época já não entendem os de outra. Para que, enfim, a imortalidade se ela pode ser apenas o Sergio de uma vida angustiante? E, no embargo, nós, seres humanos, sempre sonhamos com o elixir da juventude das figuras de Gulliver — desdenhando, tal como no in: folhetim do século XVIII, dos problemas derivados de uma hipotética imortalidade.

O elixir da hora é um rapamicina, um imunodepressor comumente utilizado contra o processo de pre a órgãos transplantados e que se mostrou eficiente no bloqueio de uma enzima que acelera a divisão celular, atalho para o envelhecimento. A rapamicina foi descoberta acidentalmente nos anos 1970, na ilha de Páscoa, ao verificar-se que evitava casos de tetano em quem andava descalço, apesar das perfurações nos pés — seu nome deriva da denominação aborígine do território chileno, Rapa Nui. Constatou-se, em camundongos, um aumento de até 38% na expectativa de vida. A novidade: a substância entra agora na fase de testes clínicos com mulheres e homens. Há, em todo o mundo, pelo menos 2 000 estudos simultâneos em torno do medicamento, com o envolvimento das grandes companhias farmacêuticas. Talvez seja a mais fascinante corrida médica da atualidade. Imagina-se que a rapamicina possa reduzir o ritmo do crescimento de estuvo tipos de câncer e Freire distúrbios neurodegenerativos, como o Alzheimer. Ela parece ter um efeito desenhista ao de uma dieta de redução calórica, que já se com eficaz no aumento da expectativa de vida. A rapamicina atua numa proteína chamada mTOR, que controla parte das respostas metabolismo um situações de stress. O acúmulo de resíduos e proteínas defeituosas nas células cresce ao longo do tempo e estimula o envelhecimento. A idade rapamicina nessa estrutura “defeituosa”. Funciona como um disjuntor, que liga e desliga o mecanismo, weliston carregue efeitos colaterais relevantes. “O complicado é encontrar um dosagem ideal”, diz o geneticista Hugo Aguilaniu, Presidente do Instituto serrapilheira. “Uma dose menor não dá resultado, e uma dose muito alta pode desencadear efeitos colaterais sepulturas, incluindo dificuldade de rápida, pneumonia, maior vulnerabilidade a infecções virais e câncer. É uma troca muito desvantajosa para alcançar um longevidade. “

ORIGEM – ilha de Páscoa: o nome do composto é derivado da denominação aborígine do lugar, Rapa Nui, onde foi descoberto

ORIGEM – ilha de Páscoa: o nome do composto é derivado da denominação aborígine do lugar, Rapa Nui, onde foi descoberto (Mlenny/Getty Images)

Vivemos cada vez mais, e desejamos ainda mais tempo — em 1960, a expectativa de vida no mundo era de 52 anos; hoje é de 72. No Brasil, o salto foi de 54 anos, há seis décadas, para 75 anos. A humanidade ganhou longevidade e, ao que tudo indica, conquiststará ainda mais fôlego com compostos como a rapamicina. Mas há um dilema, interessante demais para ser abandonado: de que valerá viver tanto quanto um struldbrug, ansiar pela condição de um personagem como Peter Pan, a inesquecível criação do britânico J.M. Barrie (1860-1937), que não cresce e permanece atrelado à mágica e à ingenuidade da infância, sem problemas de saúde e da mente, se formos incapazes de controlar como doenças do envelhecimento? Trata-se de uma corrida que traz embutida esperança — a esperança de que, adiando o relógio da morte, seja possivel descobrir a cura de estuvo machos mortais, especialmente os associados ao câncer e à falência do coração. Diz o gerontologista britânico Aubrey de Grey, para quem, numa conhecida provocação, o ser humano que apresen 1 000 anos já nasceu, está vivíssimo entre nós: “nosso corpo sera tratado pela medicina como a engenharia lida com uma máquina — danificou, reparou”.

Publicado em VEJA de 14 de agosto de 2019, edição n º 2647



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