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Primeiro-ministro do Lesoto perde confiança política

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Esta decisão deverá antecipar o fim do mandato de Thabane, iniciado em 2017, depois de o primeiro-ministro ter sido implicado no assassinato da sua ex-mulher, ocorrido nesse mesmo ano.

A informação foi confirmada pelo presidente da Assembleia Nacional, Sephiri Motanyane, que afirmou hoje que teve conhecimento do fim da coligação e da sua intenção de criar um novo Governo.

“Vou informar o rei sobre o assunto”, disse o presidente da Assembleia Nacional.

O Rei Letsie III deverá nomear formalmente o novo Governo na sessão parlamentar de 22 de maio, colocando assim um ponto final no mandato de Thabane.

Devido à controvérsia, o seu próprio partido, o All Basoto Convention (ABC), assim como a coligação que o apoia, exigiam a demissão do chefe do Governo, mas o primeiro-ministro pretendia apenas deixar o cargo “até ao final de julho“.

Sob mediação sul-africana, a coligação governamental comprometeu-se a garantir uma “saída digna” do primeiro-ministro, mas este não estabeleceu qualquer data para abandonar o cargo.

Dado o impasse, na passada sexta-feira, o ABC e os seus aliados apresentaram uma moção na Assembleia Nacional do Lesoto para a formação de um novo Governo, chefiado por um novo ministro, com o objetivo de acelerar a saída de Thabane.

A moção tinha sido rejeitada por Motanyane.

“Não tenho nenhum problema com a formação de uma nova coligação, mas a questão é: o que fazer com a atual coligação?”, questionou então o presidente da assembleia, citado pela agência France-Presse.

Thomas Thabane, 80 anos, está no poder há quase três anos e viu-se no meio de uma polémica por estar implicado no assassinato da sua ex-mulher, em 2017, num caso que alegadamente envolve a sua atual mulher, Maesaiah Thabane.

Maesaiah Thabane, 42 anos, foi detida no início de fevereiro, tendo sido libertada sob fiança no valor de mil loti (61 euros, cerca de dois terços do salário mínimo mensal no país).

Maesaiah é acusada pelos procuradores responsáveis pelo caso de ter sido a responsável pela organização do crime que matou Lipolelo em 14 de junho de 2017.

Lipolelo Thabane, então com 58 anos, foi morta a tiro, dois dias antes da investidura do seu marido à frente do Governo do pequeno país da África Austral, num momento em que o casal atravessava um processo de divórcio.

No início de janeiro, Thomas Thabane foi implicado pela polícia no homicídio da sua mulher, devido ao surgimento de novas provas, nomeadamente escutas telefónicas que o colocaram no local e momento do crime.

Tanto o seu partido como a oposição reclamavam a Thabane o abandono das suas funções na sequência da implicação no assassinato da sua mulher.

O Lesoto, um dos mais pobres países do mundo, enfrenta sérios problemas económicos, com níveis de desemprego muito elevados, e uma epidemia de sida que atinge 23% da população de dois milhões de habitantes.

Um enclave no meio da África do Sul, o país tem conhecido, desde a sua independência, em 1966, uma história política instável, marcada por golpes de Estado militares.

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