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Interior

Policial com salário mensal de R$ 6,9 mil guardava R$ 37 mil em casa

Ao negar pedido de liberdade, juiz questionou dinheiro em espécie em época de inflação alta

O policial civil Mauro Ranzi, preso pelo Gaeco acusado de integrar organização criminosa (Foto: Reprodução)

O policial civil Mauro Ranzi, 44, tem salário mensal de R$ 6,9 mil, mas guardava R$ 37 mil em dinheiro vivo em casa. O valor, guardado em sacos plásticos, corresponde a pelo menos cinco meses de seus vencimentos como servidor público estadual.

Ranzi é um dos seis policiais civis de Ponta Porã (a 313 km de Campo Grande) presos há 15 dias no âmbito da Operação Codicia (ganância, em espanhol) acusados de transformar as delegacias da cidade em “balcão de negócios”. A defesa dele alegou que o dinheiro era proveniente da venda de imóvel.

Na decisão em que negou o pedido de liberdade provisória do policial, o juiz Olivar Augusto Roberti Coneglian, da 2ª Vara Criminal da Capital (onde o caso está em andamento), citou o fato de o policial guardar dinheiro vivo em casa no momento em que o país volta a enfrentar o fantasma da inflação.

“O fato de ter sido apreendido na residência do requerente Mauro Ranzi, especificamente no interior de seu guarda-roupa, o valor de R$ 37.014,50 em espécie, apenas corrobora a existências dos indícios da prática dos crimes descritos em seu desfavor. Ora, nestes tempos, em que a desvalorização do real tem se revelado muito acentuada, a custódia de altos valores em reais em casa mostra-se no mínimo controversa”, afirmou o magistrado.

Além de Mauro Ranzi, permanecem presos o escrivão aposentado Valdenei Peromalle, o “Nei”, a escrivã Adriana Jarcem da Silva, o escrivão Jonatas Pontes Gusmão, o “Jhow”, o investigador Márcio André Molina e o perito Rogério Insfran Ocampos – os quatro da ativa.

Também seguem atrás das grades os três supostos traficantes ligados a Jonatas Gusmão – os irmãos Ricardo Alexandre Olmedo e João Batista Olmedo Júnior, de Ponta Porã, e Marcos Alberto Alcântara, residente em Campo Grande. Marcos está com prisão temporária (válida por 30 dias) e os demais estão presos preventivamente.

TV por assinatura – O juiz Olivar Augusto Roberti Coneglian também rejeitou o argumento da defesa de que as transferências bancárias feitas por Valdenei Peromalle para a conta de Mauro Ranzi tenham sido para pagamento de ponto extra de TV por assinatura.

Segundo a investigação do Gaeco, Mauro Ranzi, lotado na 2ª DP, recebeu R$ 10.802,50 de Valdenei Peromalle entre 2017 e 2021, por meio de 57 transações bancárias.

Coincidentemente, as transferência eram feitas no período em que Valdenei Peromalle recebia vantagens indevidas, pagas por locadoras, seguradoras e empresas de vistoria como prêmio para liberação de veículos recuperados.

“O argumento no sentido de que o investigado Mauro Ranzi recebia transferência de Valdenei Peromalle para realização do pagamento de TV por assinatura por ora não merece acolhida, notadamente porque desacompanhado de documentos que indiquem que os investigados realizavam o compartilhamento do serviço, o qual era supostamente quitado na forma alegada”, afirmou o magistrado.

Olivar Coneglian afirmou que a prisão preventiva ainda se justifica, pois o investigado pode se utilizar do cargo que ocupa para embaraçar as investigações e a instrução processual, “diante do risco que oferece às vítimas e às testemunhas”.

Conforme a investigação do Ministério Público, Mauro Ranzi fazia parte do núcleo comandado por Valdenei Peromalle e que operava com apoio dos outros policiais da ativa e aposentados para cobrar propina de pessoas físicas e jurídicas na liberação de veículos.

O outro núcleo seria comandado por Jonatas Gusmão e atuava, segundo o Gaeco, na venda de droga desviada do depósito da polícia. Jonatas foi preso no interior de Goiás.

Além dos presos, são investigados o delegado Patrick Linares da Costa (afastado das funções), a escrivã aposentada Doelza Lopes Ferreira, o investigador aposentado Ronaldo Medina e Elisandro Ostergerg, supostamente ligado ao núcleo do tráfico.

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