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Jornalista é executado com 12 tiros na fronteira do Paraguai com Brasil

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Um jornalista foi executado com 12 tiros na fronteira do Paraguai com o Brasil. Ele denunciava crimes na região.

O jornalista Léo Veras tinha 52 anos. Ele nasceu no Paraguai e também tinha nacionalidade brasileira. Veras era dono de um site especializado em notícias policias e conhecido por denunciar o tráfico de drogas na região de fronteira.

Nesta quinta-feira (13), no velório, a mulher de Léo, Cinthia Veras, disse que o marido andava preocupado.

“Ele falou para mim: ‘Estou te preparando para você ficar sozinha, sem mim, você tem que se acostumar viver sem mim, porque já estou velho. Ele falou que a qualquer hora ele não ia estar comigo”.

Léo Veras vivia numa casa em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha à Ponta Porã, com os três filhos e a mulher. A mulher dele contou à polícia que a família estava jantando na varanda. O jornalista viu quando dois homens armados desceram encapuzados de uma caminhonete branca. Eles chegaram atirando. Léo Veras tentou fugir, correu, mas acabou sendo atingido por 12 tiros na cabeça.

Em 2017, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) fez um documentário sobre o assassinato de jornalistas na fronteira do Brasil com o Paraguai. Léo Veras foi um dos entrevistados. Ele contou que chegou a ter proteção policial, mas que isso atrapalhava o trabalho e falou sobre os riscos que corria.

“A gente quase não participa de vida social, de festa, a não ser local que eu sei que é de segurança. A gente tem que morrer um dia. Eu sempre peço que não seja tão violenta minha morte”.

O promotor do Paraguai, Marco Amarilla, responsável pelo caso, disse que ainda não tem suspeitos, mas que o crime pode estar relacionado com a atuação do jornalista na fronteira. O promotor também confirmou que Léo Veras estava recebendo ameaças. Ele disse que, segundo a mulher, dias antes de ser assassinado, o jornalista estava agitado, preocupado e com medo.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais declararam que os assassinatos de comunicadores têm por objetivo intimidar o livre exercício do jornalismo e impedir o direito dos cidadãos de serem plenamente informados. E pediram que as autoridades do Paraguai e do Brasil esclareçam o caso rapidamente e punam os responsáveis.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo reafirmou a necessidade de as autoridades acompanharem as investigações com rigor. E ressaltou o dever do estado de prover todos os meios possíveis para garantir a segurança dos profissionais de imprensa.

A Federação Nacional dos Jornalistas afirmou que a violência contra jornalistas atinge a categoria e toda a sociedade – porque é uma ameaça à liberdade de imprensa. E que espera que as autoridades brasileiras colaborem com as investigações para que o crime não aumente as estatísticas da impunidade.

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