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Globo dá banho na CNN Brasil ‘no tocante’ à prática do jornalismo – Telepadi

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No dia da estreia da CNN Brasil, que dedicou boa parte de sua primeira hora de transmissão  a uma autocelebração por sua estreia, foi a Globo que fez jornalismo.

Quando a autoridade máxima da nação desdenha de todos os alertas dados por seu ministro da Saúde e mesmo da Organização Mundial da Saúde, é preciso mais que um microfone a ouvi-lo passivamente. É preciso um mínimo de contestação ao que ele diz. Ouvido pela CNN Brasil em link ao vivo diretamente da frente de sua residência, em Brasília, ao vivo, na noite deste domingo (15), Jair Bolsonaro atribuiu a “interesses econômicos” o que chama de “histeria” em relação às medidas restritivas adotadas em função da multiplicação do coronavírus, a começar pela necessidade de se evitar aglomerações.

Neste domingo (15), após usar horário nas redes de TV durante a semana para um pronunciamento em que pediu o cancelamento das manifestações a seu favor em função do coronavírus, Bolsonaro corroborou mais de 20 postagens no Twitter, incentivando o ato, como mostrou o “Fantástico”, da Globo, e saiu às ruas, apertando a mão de seus seguidores como se não tivesse participado de uma reunião onde pelo menos cinco pessoas testaram positivo para o vírus.

O repórter da CNN até tentou chamar a atenção para o fato, mas Bolsonaro, como se estivesse no papel contrário, disse que não teme o povo. É difícil contestar uma autoridade na sua primeira entrada ao vivo em um novo emprego, mas por que Reinaldo Gottino e Monalisa Perrone, no estúdio, não enfatizaram o fato de o mundo inteiro estar adotando medidas similares às do Brasil, o que derruba as teorias de conspiração do presidente?

Em vez disso, a dupla fez sutil menção a tanto e passou longe de informar que Bolsonaro erra ao ver “histeria” nas medidas adotadas, desautoriza seu ministro da saúde e contraria ações mundiais com seus atos e declarações. Ao contrário do que se esperava sobre a desobediência de Bolsonaro, o site do canal resumia a chamada da entrevista, poucos minutos depois, a uma frase em que Bolsonaro se coloca como alguém mais próximo do povo do que Maia e Alcolumbre, ao dizer que gostaria que eles fossem para a rua, como ele.

Vai ser difícil acreditar em jornalismo isento, como prometeu a CNN Brasil, se a coisa continuar condescendente com alguém que nada contra a maré do bem coletivo.

Enquanto isso, na Globo, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, presidentes da Câmara Federal e do Senado, respectivamente, ambos citados por Bolsonaro na entrevista de poucos minutos antes na CNN Brasil, criticaram a presença do presidente nas manifestações. Maia pediu claramente que “o piloto do avião assuma sua cadeira” e conduza o país pelos rumos esperados. É certamente sua declaração mais contendente desde que vem sendo atiçado pela ala bolsonarista.

Como ambos eram parte da motivação dos manifestantes, que contestam as contrariedades do Senado e do Congresso aos projetos e desejos do presidente, era de se esperar que, em um dia como o de hoje, eles tivessem sido procurados para comentar a presença de Bolsonaro nas manifestações, desobedecendo a todas as orientações mundiais. Não foi o que se viu na CNN Brasil. Ambos deram entrevistas ao canal no meio da semana, ainda a serem exibidas, sobre diversos assuntos, mas teriam de opinar sobre os fatos do dia no dia dos fatos, afinal.

A Globo procurou Alcolumbre, Maia e Bolsonaro, informando que o presidente não atendeu aos pedidos da emissora para ser ouvido.

O Fantástico mostrou que os cuidados com o coronavírus vão bem além dos interesses econômicos, contrastou de modo claro a inconveniência de Bolsonaro apertar quaisquer mãos neste momento, não por ele, vale repetir, que está sob suspeita de ter contraído o vírus, mas por seus interlocutores.

Faltou jornalismo em uma jornada que ofereceu fartos elementos para tanto. Para um canal que vinha alimentando as expectativas do presidente de ser “diferente” da Globo, a quem ele trata como “inimiga”, sim, foi bem diferente, mas com larga desvantagem.

Em tempo: adoraria escrever que os dois canais concorreram brilhantemente pela melhor cobertura do dia, mas, infelizmente, isso não se consumou. Mas ainda tenho esperanças.

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