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Eurasia descarta risco de impeachment e ruptura democrática

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Apesar da sobreposição de crises na saúde, economia e política, os riscos de um impeachment do presidente Jair Bolsonaro são baixos e só aumentariam caso a disseminação do novo coronavírus atingisse com mais intensidade grandes centros urbanos, afirma Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurásia Group.

“O presidente vai sair mais fraco da pandemia, as investigações vão continuar e provavelmente sua aprovação vai cair ainda mais. Mas Bolsonaro é um presidente que tem um apelo para um segmento da população”, afirmou Garman nesta segunda-feira (1º) durante “live” da Fundação Fernando Henrique Cardoso.

Segundo ele, outro fato que deve garantir o mandato de Bolsonaro é a falta de disposição das lideranças partidárias em iniciar um processo de impeachment. “Tenho conversado com parlamentares e eles dizem que não há nenhuma intenção de tirar o presidente no meio de uma pandemia”, afirmou.

O diretor da Eurasia lembra que, ao lado de Donald Trump, Bolsonaro está entre os líderes mundiais que perderam popularidade durante a crise do novo coronavírus, especialmente pela lentidão de ações e confronto com prefeitos e governadores. “A resposta inicial de Bolsonaro foi de criticar governadores e líderes de partido. Isso não está ajudando muito durante a crise de saúde, mas foi o que o elegeu em primeiro turno”, afirmou, lembrando sobre a base relativamente estável do presidente.

Garman também descarta a possibilidade de os embates entre os Poderes levarem ao fim de democracia. “Embora as instituições estejam sob estresse, o maior legado institucional do governo Bolsonaro deve ser um enfraquecimento do executivo em comparação com o legislativo e judiciário”, disse.

Ele destaca que, embora a presidência tenha sido incapaz de reagir de maneira eficaz a diversas questões, esse cenário pode não ser necessariamente negativo no longo prazo. “O legislativo e o judiciário ocuparam essa espaço. Mas, obviamente, no curto prazo isso vai aumentar as tensões entre os poderes”, afirmou.

Segundo Garman, a combinação desses fatores vai aumentar a polarização entre as forças políticas no Brasil. “Mas provavelmente não o suficiente para um ambiente em que o presidente perca seu mandato ou ocorra uma ruptura da ordem democrática”, afirmou.

Outra preocupação do momento, lembra Garman, é como o Brasil sairá da recessão trazida pela pandemia, especialmente no cenário de alto endividamento público. “Uma boa notícia é que o Congresso ganhou percepção, desde o impeachment de Dilma Rousseff, de que a crise econômica está ligada à fiscal e aprovou medidas como o teto de gastos públicos e a reforma da Previdência”, disse.

(Com conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, o serviço de notícias em tempo real do Valor)

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