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‘Esquema de cargos’ de Bolsonaro reforça farsa da nova política, diz Freixo

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“Queiroz é peça fundamental na estrutura indicada pela reportagem da Folha sobre os esquemas de nomeações de servidores no gabinete de Jair Bolsonaro, e na reportagem do G1, que mostra o funcionamento do Escritório do Transgressão”, afirmou à pilar o deputado federalista Marcelo Freixo (PSOL-RJ). “Ele é o não-citado presente. Não exclusivamente era o operador das ‘rachadinhas’, esquema de devassidão pelo qual a família desviou milhões em numerário público, mas é a relação do clã do presidente com territórios dominados pelo delito organizado.”

Meticulosa apuração de Ranier Bragon e Camila Mattoso, da Folha, publicada neste domingo (5), traz indícios de que a nomeação suspeita de assessores no gabinete do logo deputado federalista Jair Bolsonaro pode ter sido lesivo aos cofres públicos. Ele contratou 110 nos quase 28 anos que permaneceu por lá, realizando 350 trocas de cargos com mudança salarial, mudanças abruptas de valores e exonerações de frontispício.

Por exemplo, segundo a apuração, a campeã foi Walderice Santos da Conceição, que seria funcionária fantasma do gabinete e passou por 26 trocas. Ela foi flagrada vendendo açaí em Enseada dos Reis (RJ), em horário de expediente do parlamento. “O presidente deve responder quais foram as mudanças do trabalho da Wal do Açaí que levaram a alterações em seu salário”, afirma Freixo.

“Um presidente que defende simbolizar a ‘ farsa da novidade política’ foi um deputado que conviveu por quase 28 anos com práticas do subterrâneo da Câmara – práticas que são aquilo que o Brasil mais ojeriza”, afirma o deputado federalista.

“Queiroz era um funcionário da família e ajudava a gerenciar o esquema. Mas quem nomeava era o próprio deputado. Ou seja, da mesma forma que as contratações na Parlamento Legislativa do Rio passavam pela mão de Flávio, na Câmara passavam por Jair.” Para Marcelo Freixo, tudo isso comprova a existência de uma organização, com uma estrutura consolidada.

“Quem trouxe Queiroz para a política? Quem o colocou no gabinete de Flávio? Quem manda de indumento nos mandatos dos filhos? A resposta é óbvia e mostra que a prisão do ex-PM comprova que o presidente representa o que há de mais idoso e podre no sistema político brasiliano”, diz.

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federalista, arquivou, na quarta (1), uma interpelação judicial feita pelo vereador Carlos Bolsonaro para que Freixo revelasse quais crimes teriam sido cometidos pelo presidente e seus filhos, de harmonia com uma postagem do deputado. “Sobre o questionamento, sugeri a Carlos que fosse ao presídio em Bangu perguntar a Queiroz”, afirmou à pilar.

Para ele, que presidiu a CPI das Milícias quando deputado estadual na Parlamento do Rio, a prisão de Queiroz deixou Jair Bolsonaro mais langoroso do que as crises provocadas pelas demissões de importantes ministros do seu governo.

“O que explica esse silêncio inédito? O susto diante da constatação de que a prisão de Queiroz provocará o desmoronamento da teoria de que ele representa uma novidade política. Enfim, o presidente só venceu a eleição porque conseguiu, depois de 2013, se apresentar porquê um candidato antissistema”, avalia. De harmonia com Freixo, “o ex-policial militar é a tampa do bueiro e Bolsonaro sabe que, agora, o esgoto está correndo a firmamento crédulo, expondo ao país à podridão do sistema político carioca, uma mistura de delito organizado, polícia e política”.

Também neste domingo, levantamento de Leslie Leitão e Marco Antônio Martins, do G1, mostra que a polícia e o Ministério Público investiga um rosário de mortes cometidas pelo Escritório do Transgressão, que só passaram a ser realmente investigadas depois a realização da vereadora Marielle Franco e do motorista, Anderson Gomes, em março de 2018.

Depois deixar as Forças Armadas, Queiroz serviu no 18º Batalhão, de Jacarepaguá, com Adriano da Nóbrega, superintendente do Escritório do Transgressão – morto em fevereiro deste ano durante ação que tentava prendê-lo. A superfície do batalhão é dominada por milícias, segundo o deputado.

“Bolsonaro conheceu Adriano por meio de Queiroz, que ainda não havia sido posto no gabinete de Flávio. A mando do presidente, seu fruto, logo deputado estadual, homenageou o criminoso com a mais importante honraria do Estado, a Medalha Tiradentes, entregue dentro da masmorra porque Adriano estava recluso por homicídio”, afirma Freixo.

“No mesmo ano, Bolsonaro fez um exposição no Congresso pelo qual chamou de herói o superintendente do Escritório do Transgressão. Ali foram estabelecidas as relações, que se aprofundaram depois Queiroz iniciar a operar dentro do procuração do primogênito do clã em 2007.”

A ex-mulher e mãe de Adriano, por intermédio de Queiroz, se tornaram assessoras fantasmas no esquema de desvios de recursos públicos. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, o matador teria repassado R$ 400 milénio ao ex-PM.

Vale lembrar que a filha de Queiroz trabalhava no gabinete de Jair Bolsonaro, em Brasília, enquanto atuava porquê personal trainer no Rio de Janeiro. Ela repassou a maior segmento do salário ao pai.

E que Queiroz depositou um cheque de R$ 24 milénio na conta da, hoje, primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente diz que é restituição de segmento de um empréstimo, mas nunca provou isso e atacou repórteres que cobraram dele um comprovante. “Pergunta pra tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai, tá manifesto?”, disse.

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