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Ciência e tecnologia

Desprezo pela ciência ameaça o planeta, afirma Julia Fonteles

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Há semanas, queimadas descontroladas no Pantanal e nos Estados Unidos tomaram conta do continente americano, trazendo consequências nefastas e irreversíveis. No Pantanal, os incêndios já destruíram 15% do bioma e continuam ameaçando a vida dos animais e moradores de Mato Grosso. Na tentativa de controlar o fogo, estima-se que apenas 150 homens fazem parte da força-tarefa para dominar a queimada no Estado, o que equivale a 1 homem para uma área de 350 quilômetros. Biólogos e moradores corajosos continuam arriscando suas vidas para salvar os animais que ficaram cercados pelo fogo, incluindo espécies como onça pintada, tamanduá e jacarés.

Nos Estados da Califórnia e de Oregon, o índice de qualidade do ar é de 153 de 500, o que significa que moradores devem usar máscaras para sair de casa e evitar fazer exercícios ao ar livre.  No Oregon e na Califórnia, 4.200 propriedades foram completamente destruídas, contribuindo para o aumento do número de refugiados climáticos. O número de mortes até agora é de 24 pessoas. Em entrevista concedida nesta semana, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, convidou aqueles que não acreditam em mudança climática a visitar o Estado californiano.

Devido à série de acontecimentos trágicos de 2020, é preciso distinguir entre má sorte e a ciência. O aumento dos fogos em florestas tem relação direta com a mudança climática. A elevação da temperatura em períodos de seca contribui para a velocidade de propagação do fogo, o que, consequentemente, dificulta os esforços para reduzir a queimada e controlar os incêndios.

Esse processo faz parte de um ciclo vicioso, porque ao queimar as árvores, o nível de CO2 armazenado se lança na atmosfera, contribuindo ainda mais para o efeito estufa, responsável pelo aumento da temperatura da atmosfera. Portanto, nada referente à frequência e à proporção das queimadas é natural e, à medida em que se continua emitindo CO2 na atmosfera, mais grave as queimadas serão.

Vale lembrar que o conceito sobre mudança climática não é algo novo, mas a politização da ciência é. Charles Keeling foi o 1º cientista a descobrir como medir os níveis de CO2 na atmosfera e a concluir que desde 1958 os níveis de concentração de gases de efeito estufa só aumentaram. Em 1988, durante sessão do plenário no Congresso norte-americano, James Hansen, cientista da Nasa, revelou pela 1ª vez sua preocupação com o aumento desenfreado de emissão de CO2 na atmosfera, e como isso traria consequências irreversíveis para futuras gerações. Segundo ele, a mudança climática não era mais um tópico só acadêmico, e sim um problema que afeta a todos.

A preocupação do aquecimento global não se limitava a cientistas. A ex-primeira-ministra do Reino Unido Margaret Thatcher e o ex-presidente norte-americano George H. W. Bush, ambos de partidos conservadores, são conhecidos por se esforçarem em introduzir o debate do aquecimento global na esfera de política no final dos anos 1980. Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama também continuaram na mesma trajetória, com uma agenda para melhorar a qualidade do ar dos norte-americanos e assumiram compromissos para reduzir emissão dos gases de efeito estufa.

Hoje, o obscurantismo climático é impulsionado pela polarização política e pelas fake news. Líderes como Bolsonaro e Donald Trump alimentam um discurso ignorante para fugir da responsabilidade de lidar com as consequências climáticas que estão, a cada dia, mais evidentes e presentes. É preciso resgatar o respeito pela ciência, e exigir mudanças locais e nacionais para garantir a possibilidade de um futuro melhor para a humanidade.

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