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Cebri manifesta preocupação com rumos da política externa do Brasil

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RIO – O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) divulgou neste sábado uma nota em que manifesta sua “grave e urgente preocupação” com os rumos da política externa do Brasil, à qual atribui um acumulado de erros recentes e que atingiram agora “um patamar de disfuncionalidade e de prejuízo” para o país, ao seguir “o caminho oposto” do que seria “natural” durante a crise provocada pelo novo coronavírus: a busca por consenso e fortalecimento de “alianças com vizinhos, amigos e parceiros”.

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“Em datas recentes o Governo brasileiro, através do Itamaraty, mas também por outros canais, tem feito declarações gratuitas e inconsequentes, proferido votos e adotado posições que nos enfraquecem e isolam sem com isso, de forma alguma, fortalecer a defesa de nossos interesses”, afirmam.

O texto é assinado por 27 membros do Cebri, entre eles o diplomata Rubens Ricupero, que na última sexta-feira publicou, juntamente com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros sete ex-ministros, um artigo em O Globo e outros jornais do país condenando a política externa do governo de Jair Bolsonaro, afirmando que esta contraria a Constituição “em letra e espírito”.

“Se acumulam as queixas e ressentimentos com posições nossas que se desviam de nossa longa tradição de cooperação construtiva com a sociedade internacional. Tudo isso tem um preço que pode vir a nos ser cobrado quando mais precisamos de uma coisa que já tínhamos merecidamente conquistado e que era o mais amplo respeito da sociedade internacional que via no Brasil um parceiro amistoso, confiável e, acima de tudo, generoso”, continua a nota publicada no sábado.

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De acordo com o blog da jornalista Bela Megale, em uma reunião ministerial de 22 de abril — apontada por Sergio Moro como uma das provas contra o presidente Jair Bolsonaro —  o chanceler Ernesto Araújo teria declarado, em alto e bom som, que o novo coronavírus é uma “coisa da China”, com o propósito de dominar outras nações. Araújo também apelidou a Covid-19 de “comunavírus”, expressão que o fez gargalhar, sendo acompanhado por Bolsonaro, dando sinais de que concorda com o ministro.

Procurado, Araújo disse, por meio da assessoria de imprensa do Itamaraty, que “nãotem nada a declarar”.

Além de Ricupero, também assinam a nota divulgada neste domingo os ex-ministros José Aldo Rebelo, Luiz Fernando Furlan, Pedro Malan e Sergio Amaral, os diplomatas Luiz Augusto de Castro Neves, Marcos Azambuja e Roberto Abdenur, Anna Jaguaribe, diretora do Instituto para estudos Brasil-China, Luiz Ildefonso Simões Lopes, presidente-executivo da Brookfield Brasil, e Vitor Hallack, presidente do conselho de administração do Grupo Camargo Corrêa.

Chanceler volta à carga

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que já havia respondido com veemência ao artigo publicado na sexta-feira, voltou à carga neste domingo contra as críticas à sua gestão e ao atual governo.

No Twitter, o chanceler escreveu que “os ex-ministros da Bolha, um ex-presidente e eterno ídolo da Bolha, ficam repetindo seu mantra patético, tentando compensar com estridência a falta de ideias”. Araújo também os acusa de descolamento da realidade e os incita a sair “para fora da bolha para ver como é o Brasil de verdade, como é o mundo de verdade”.

 

O artigo de FHC e dos ex-ministros deixou de lado uma cisão de décadas na política externa brasileira, em favor de uma condenação comum da atual atuação do Itamaraty. Sob Araújo, afirmam, “a diplomacia brasileira, reconhecida como força de moderação e equilíbrio a serviço da construção de consensos, converteu-se em coadjuvante subalterna do mais agressivo unilateralismo”.

 



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Redação

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