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Caiado rompe com Bolsonaro: ‘a ignorância não é uma virtude’

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O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), deixou claro na manhã de hoje seu rompimento político com Jair Bolsonaro, após o presidente da República ter feito pronunciamento na noite de terça-feira em cadeia nacional de rádio e televisão chamando a pandemia de “gripezinha”. Médico, Caiado era um dos mais fiéis aliados de Bolsonaro em todo o time de governadores e chegou a pressionar a direção nacional de seu partido, o DEM, para que declarasse apoio formal ao governo Bolsonaro.

“Quando se escuta uma declaração como essa, de dizer que isso é resfriadinho, é uma gripezinha…Respeito! Na política e na vida, a ignorância não é uma virtude”, disse

O anúncio foi feito por Caiado em entrevista coletiva em Goiânia, ao final da manhã, transmitida ao vivo pelas redes sociais. Ele se juntou a governadores de todo o país nas críticas à postura de Bolsonaro.

O governaddor afirmou que Goiás continuará seguindo as orientações de isolamento social e considerou a atitude de Bolsonaro ignorância e falta de respeito com todos os líderes políticos e autoridades públicas e médicas do país que se empenham no combate à pandemia.

Ronaldo Caiado, governador de Goias, critica o conteúdo do pronunciamento do presidente Bolsonaro  — Foto: Nilani Goettems/ValorRonaldo Caiado, governador de Goias, critica o conteúdo do pronunciamento do presidente Bolsonaro  — Foto: Nilani Goettems/Valor

Ronaldo Caiado, governador de Goias, critica o conteúdo do pronunciamento do presidente Bolsonaro — Foto: Nilani Goettems/Valor

“Na área da saúde, do combate ao coronavírus, as regras que prevalecerão no Estado de Goiás são as regras do meu decreto, e as definidas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e pelo corpo técnico do Ministério da Saúde”, enfatizou o governador.

“Eu falei com o presidente ontem pela manhã e mais três governadores de Estado. Como um governador da sua base, aliado, recebi como desrespeito [o pronunciamento], como aliado que sou.” O governador deixou claro o distanciamento: “Falarei com ele também por comunicados oficiais”.

Caiado disse que as medidas de restrição adotadas em Goiás até agora estão, sim, mantendo a curva de disseminação do vírus dentro de um limite estável, condizendo com o que pode ser a capacidade de atendimento do SUS, o que é o grande desafio para as autoridades.

Para Caiado, a fala “irresponsável” de Bolsonaro cria uma espécie de “ninho da serpente” para transferir responsabilidades pela colapso da economia no futuro aos governos locais. “É motivo de criar uma situação como se amanhã o desemprego fosse responsabilidade das pessoas que estão contendo o fluxo, a movimentação? Amanhã, sim, eu terei queda na arrecadação do meu ICMS. E aí é ‘então resolva lá, porque isso é situação de cada um´. É correto? Isso é postura de um governante?”, desabafou.

A crise econômica ampliada e o desemprego serão inevitáveis, reconheceu Caiado. “Então por que responsabilizar os outros, dar uma de Pôncio Pilatos e lavar as mãos? Eu sou o governador de Goiás. Sou eu que respondo por 7,2 milhões de goianos. As decisões do presidente da República em relação à saúde pública não atingem a fronteira de Goiás. Está bem entendido?”, sentenciou, firme.

Nas entrelinhas, rechaçou qualquer iniciativa para decretação de estado de sítio. “Não tem ambiente para que ninguém se coloque acima de regras democráticas”. Num recado a Bolsonaro, disse que seria possível ter “humildade de poder rever posições e acolher o que a ciência e a comunidade acadêmica definem como recomendação”.

Segundo o governador, “ninguém restringiu o acesso às rodovias”. Em relação aos abusos de preços de insumos médicos (como álcool gel e máscaras), disse que isso deve ser coibido com punição e ação coordenada das autoridades.

“A população tem que ter norte, tem que ter rumo. Os líderes têm que saber se pronunciar neste momento.”

O governador também criticou fortemente a propaganda de Bolsonaro em favor da cloroquina, dizendo que o uso do medicamento já causou óbitos.

Caiado disse que sua postura em relação a Bolsonaro é individual, e assegurou que ela não está orquestrada com outros políticos ou com o DEM. Fez questão de enfatizar que passou a noite inteira refletindo, lendo livros e tratados médicos. Apontou irracionalidade e irresponsabilidade no discurso de Bolsonaro, questionando se isso é postura de um líder.

O governador, que é um político de direita, disse que a fala do presidente, depois de ele ter participado de reunião com os chefes de executivos estaduais de várias regiões do país, é um “desrespeito”.

“Numa guerra não se aceita transferir responsabilidades. Estamos de mãos dadas para superar esse momento.” Sobre a permanência do ministro Luiz Henrique Mandetta, de seu partido, no Ministério da Saúde, Caiado disse que é uma decisão política pessoal dele.

Questionado se tinha conversado com políticos antes da entrevista coletiva, Conrado justificou sua atitude: “Conversei longamente com a minha consciente a noite toda, com minha vida e a minha responsabilidade como médico e como governante. Com mais ninguém dividi essa solução minha. É uma questão de ordem pessoal, analisando, lendo, estudando, refletindo, pensando: será que todos nós estamos errando? Será possível que a comunidade cientifica do mundo inteiro está errada?”, disse, demonstrando a perplexidade com a retórica do presidente.

Caiado enfatizou que tem trabalhado em conjunto com os poderes Legislativo e Judiciário do Estado, em consonância com todos os prefeitos, mesmo os que eram seus adversários políticos. Também ressaltou o diálogo com o setor empresarial da região, que não critica as medidas de isolamento social e compreende as restrições do momento.

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