Brasil e o Mundo

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Zilda Mendes

Professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, com atuao nas reas de comrcio exterior e cmbio

No final de 2018, escrevi um cláusula comentando sobre a participao do Brasil no comrcio internacional. O texto dizia que, nas ltimas dcadas, a mdia da participao do Brasil nas exportaes e importaes mundiais ficou em torno de 1,2% e que as justificativas apresentadas eram aquelas velhas conhecidas de quem acompanha a atuao deste pas no mercado internacional.

Por conta das polticas externas adotadas pelos governos, o “dispêndio Brasil, formado pelos ‘gargalos’ das exportaes, a infraestrutura precria, a trouxa tributria, o intensidade de exórdio mercantil do pas e at a falta de profissionais devidamente qualificados para atuar neste segmento” justificavam os fracos resultados apresentados.

Mas o texto tambm falava sobre as medidas que vinham sendo tomadas por diversas instituies em prol da melhoria da participao do Brasil no comrcio internacional. O cláusula mencionava o esforço da Apex-Brasil, que vinha promovendo no exterior produtos e servios brasileiros de setores estratgicos, alm de buscar investimentos estrangeiros para o pas. Outras instituies, porquê o Sebrae, tambm estavam fazendo um magnífico trabalho no sentido de educar e orientar empresas que desejam atuar no exterior. Destacava-se, ainda, o trabalho das associaes de classe ajudando nas promoes e negociaes internacionais de seus associados.

Foram citadas no cláusula medidas adotadas pelo governo e pela iniciativa privada que poderiam contribuir para facilitar e incrementar o comrcio exterior. Entre elas, a criao de alguns benefcios fiscais para as importaes e exportaes, a liberao de recursos para financiamentos via BNDES e a aprovao do texto do Cdigo Aduaneiro do Mercosul pelo Congresso Pátrio, que unificou o tratamento do trnsito de mercadorias entre os pases-membros e a transparncia nos procedimentos aduaneiros.

Com um novo governo no poder, o pas presenciou mudanas em sua poltica externa. As expectativas de exórdio da economia brasileira, a possibilidade de se negociarem novos acordos comerciais e as assinaturas de acordos para evitar bitributao e lavagem de verba acenavam que o aumento do volume do comrcio exterior brasiliano comeava a ser traado. As aes da iniciativa privada, de entidades de classe, dos trabalhos desenvolvidos pelas cmaras de comrcio incentivando os negcios entre seus pases e o Brasil, e o incentivo para que empresas adotassem novas ferramentas e modelos de negcios para se tornarem competitivas davam a esperana de que alguma coisa iria mudar e de que os resultados, finalmente, comeariam surgir.

No ltimo relatrio da Organizao Mundial do Comrcio (OMC), em 2019, o Brasil respondeu por unicamente 1,2% das exportaes (27ª posio global) e 1% das importaes (28ª posio global) de mercadorias. Ou seja, continuamos no mesmo patamar, mesmo havendo propagação nas exportaes de alguns segmentos, porquê o agropecurio, de sucatas ferrosas e de minrio de ferro.

Apesar da costumeira instabilidade da poltica brasileira, das projees de grave ou nenhum propagação econmico em graduação global anunciadas por organismos internacionais, porquê FMI, Banco Mundial e OCDE, o pas vinha adotando medidas que acenavam a retomada do propagação econmico, principalmente no comrcio exterior.

Mas ainda no vai ser desta vez. Parece que o pas est “seduzido”. No consegue deslanchar. Quando se pensa que agora vai, no vai. E mais uma flagelo se apresenta ao j to conturbado e incerto cenrio poltico-econmico brasiliano: o novo coronavrus.

As expectativas por conta da pandemia do novo coronavrus no poderiam ser piores para o desempenho econmico do pas. Sim, no estamos sozinhos, mas no estvamos preparados. Com uma queda de 8,25% das exportaes brasileiras prevista pela Confederao Pátrio da Indstria (CNI) e a diminuio da demanda internacional por produtos e servios, somados s inmeras barreiras comerciais impostas pelos pases para as exportaes e, principalmente, importaes, d para imaginar qual vai ser o resultado da participao do Brasil a ser divulgado pela OMC no prximo ano.

No h dvidas de que possuir uma retomada das operaes comerciais internacionais, mas certamente ser dissemelhante do que j vimos. Ocorrer de modo lento, com modelos de negcios modificados (acredito que para melhor) e certamente com pases adotando medidas muito mais protecionistas do que j vnhamos observando.

E nascente “magia” s ser quebrado se as mudanas estruturais continuarem sendo feitas no mbito governamental, porquê a reforma tributria, a aprovao de uma novidade lei cambial e a modernizao e desburocratizao dos sistemas de registros e controles das exportaes e importaes de bens e servios, e se a iniciativa privada continuar reunindo foras para se manter competitiva e preparada para enfrentar todas as adversidades que, certamente, aparecero. Resta-nos esperar o relatrio de 2022 da OMC para ver se o Brasil conseguiu aumentar sua participao no comrcio internacional. S mais dois anos. Vamos ter f.

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