fbpx
Política‎

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
(foto: CB/D.A Press )
(foto: CB/D.A Press )

A Polcia Federal foi pega de surpresa por alteraes profundas na estrutura administrativa da corporao. Comeou com a sada de Sergio Moro do Ministrio da Justia, que era visto como um defensor da independncia da PF no governo e tem o respeito de boa parte da corporao desde a Operao Lava-Jato. Substitudo por Andr Mendona, conhecido pelo profundo alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro, os temores de que a PF seria manietada aumentou. Mas o que parece ser a confirmao de que o campo de ao da polcia judiciria ser restringido veio com a colocao de Rolando Alexandre Souza, ex-nmero 2 da Agncia Brasileira de Inteligncia (Abin) no comando da PF–– sada caseira ante o impedimento, determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nomeao de Alexandre Ramagem, que, por enquanto, permanece frente dos arapongas.

A sada de Moro em si j seria preocupante, mas acendeu a luz vermelha diante das acusaes que fez ao presidente Jair Bolsonaro de interferir na Polcia Federal, tentando obter acesso a relatrios de inteligncia policial e insistindo na troca do diretor-geral e do superintendente do Rio de Janeiro, estado onde est sua base eleitoral. Ali, pelo menos cinco investigaes interessam famlia Bolsonaro, entre elas, a apurao de movimentaes atpicas em contas de Fabrcio Queiroz, ex-assessor parlamentar do hoje senador Flvio Bolsonaro (Republicanos-RJ). O inqurito segue em sigilo, mas mira pessoas prximas ao presidente e aos filhos dele.

Em uma petio enviada, na ltima quinta-feira ao STF, Moro reforou as denncias que havia feito e “destacou a relevncia de manifestaes incisivas do presidente da Repblica” em uma reunio ministerial, “especialmente vinculadas ao desejo de troca da direo-geral da PF, do superintendente do Rio de Janeiro e, inclusive, do prprio ministro da Justia, alm da inteno de obter relatrios de inteligncia junto a referidos rgos policiais”. De fato, aps a demisso do ento diretor-geral, Maurcio Valeixo, e da sada de Moro, o superintendente da PF no Rio foi trocado. Carlos Henrique Oliveira, que tinha elevada aprovao de agentes e delegados, deu lugar a Tcio Muzzi, que chegou a ficar no comando da unidade por cinco meses no ano passado.

A escolha de Muzzi foi um alvio, pois ele no tem proximidade com os Bolsonaro. Ele atuou na Lava-Jato e est na PF desde 2003, tendo ocupado o cargo de chefe da Delegacia de Represso Corrupo e Crimes Financeiros, da Superintendncia do Rio. Alm disso, foi diretor-adjunto do Departamento de Recuperao de Ativos e Cooperao Jurdica Internacional e dirigiu o Departamento Penitencirio Nacional (Depen). De perfil tcnico, Muzzi ter o desafio de manter em curso as investigaes a salvo de ingerncias polticas.

Carlos Henrique Oliveira ser diretor-executivo da PF, o nmero 2 da corporao. Apesar de o governo afirmar que se trata de uma promoo, na prtica o delegado “caiu para cima”: deixou a rea de investigao para atuar no controle de portos, aeroportos e regies de fronteira, alm de cuidar de assuntos administrativos.

Incertezas

Para o diretor jurdico da Federao Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Flvio Werneck, as incertezas prejudicam os trabalhos da PF. Ele explica que o poder para que o presidente da Repblica escolha o diretor-geral da corporao foi institudo por meio de medida provisria, no governo Dilma, e que tramitou rapidamente pelo Congresso. “Essa situao de levar ao Poder Judicirio a discusso de cargos muito ruim. Entendemos que ,tanto o primeiro indicado, quanto o diretor agora nomeado cumprem os requisitos legais. Mas a questo poltica complicada de debater. Desde 2014, infelizmente, ou felizmente, a escolha do presidente da Repblica. Ns, da Federao, fomos contra essa legislao”, explica.

Ainda segundo Werneck, necessrio mais autonomia nas investigaes e os policiais anseiam pela criao de uma lei orgnica. “ o que mais queremos, h 31 anos. Para que se discipline quais as atribuies, o que obrigatrio, direitos e deveres inerentes aos cargos e como os policiais federais vo ser tratados dentro da carreira”, diz ele, ressaltando que desejam, tambm, autonomia investigativa.

Judicializao

Um ato do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, impediu Bolsonaro de nomear o delegado Alexandre Ramagem –– amigo do filho 02 do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro –– para o comando da corporao. O magistrado viu, com base nas declaraes de Moro, o risco de Remagem atuar em favor dos interesses da Primeira Famlia dentro da PF. Ramagem continua a ocupar o cargo de diretor-geral da Abin, mas todos na PF acreditam que ele quem dar as cartas no rgo.

A percepo de que Rolando Alexandre Souza, ex-nmero dois da Abin, ser apenas um testa de ferro de Remagem. Para policiais, Rolando aproximou a agncia que assessora o presidente no setor de inteligncia da polcia judiciria. “Esse um alinhamento histrico e preocupante. So trabalhos que podem dialogar para prestar o melhor servio sociedade, mas a PF no pode atuar a servio do presidente. Dentro da corporao, esse alinhamento tido como certo em alguns assuntos”, afirma uma fonte na PF, em contato com a reportagem. 

Fonte

Mostrar mais

Redação

INFORMAÇÕES DE CONTATO --- Ligar (67) 99257-2652 --- m.me/NotaDiariabr --- contato@notadiaria.com.br --- https://notadiaria.com.br/

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios