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Paciente com covid-19
Paciente com covid-19 transportado para UTI instalada em centro esportivo em Milo: novas pesquisas clnicas (foto: Miguel Medina/AFP)

Mais um medicamento j existente, usado no tratamento da artrite reumatoide, mostrou eficcia na reduo dos sintomas respiratrios graves relacionados covid-19. A droga biolgica anakinra, aprovada nos Estados Unidos e na Europa — mas ainda no no Brasil —, foi associada melhora de mais de 70% dos pacientes, em um estudo italiano, publicado na revista The Lancet Rheumatology.

 

Apesar do nmero pequeno de participantes — 29 pessoas —, a pesquisa traz uma vantagem em relao maioria dos artigos sobre Sars-CoV-2 que tm sido publicados. Ela foi revisada por especialistas independentes, que consideraram os resultados promissores.

 

O estudo o primeiro a testar a anakinra para o tratamento de covid-19. A ideia de usar um medicamento para artrite reumatoide em pacientes com a sndrome respiratria aguda causada pelo coronavrus justifica-se pelo potencial da droga de modular o sistema imunolgico.

 

Essa doena reumatolgica autoimune — por um erro inato, o organismo passa a se autoatacar, lanando substncias inflamatrias em excesso, o que destri as articulaes. No caso da covid-19, j praticamente consenso que a gravidade dos sintomas est associada justamente chamada “tempestade” de citocinas..

Estimulado pela presena do vrus, o sistema de defesa dos pacientes responde de forma exagerada, provocando a hiperinflamao das vias areas. Em tese, um remdio capaz de controlar essa resposta poderia ser eficaz no tratamento de covid-19.

 

Segurana

 

“At que uma vacina esteja disponvel, precisamos urgentemente encontrar uma maneira de ajudar as pessoas a sobreviver aos sintomas mais graves da covid-19, e faz-lo sem sobrecarregar a capacidade de terapia intensiva dos hospitais”, justifica Lorenzo Dagna, imunologista do Hospital San Raffaele e Vita-Salute da Universidade San Raffaele, em Milo. Ele um dos autores do estudo, realizado no hospital milans. Segundo Dagna, uma das vantagens da anakinra que, mesmo em altas dosagens, como as necessrias para combater a tempestade de citocinas nos pacientes de covid, ela no txica, o que torna o uso seguro.

 

No estudo, todos os 29 pacientes receberam tratamento padro (ventilao no-invasiva, hidroxicloroquina e lopinavir/ritonavir). Derivada da cloroquina, droga antimalria, a hidroxocloroquina tambm indicada para artrite reumatoide e vem sendo testada em estudos clnicos desde fevereiro.

 

Alm dessa terapia, os doentes receberam infuses intravenosas dirias com altas doses de anakinra (10mg por quilo de peso corporal). Eles foram comparados a 16 pacientes submetidos apenas ao tratamento padro.

 

Com 21 dias de teste, o tratamento com altas doses de anakinra foi associado a redues na protena C reativa srica (um indicativo da queda da inflamao) e a melhorias progressivas na funo respiratria em 21 (72%) dos 29 pacientes. A sobrevivncia foi de 90% (26 de 29). Cinco dos 29 pacientes (17%) necessitaram de ventilao mecnica.

 

J no grupo dos 16 pacientes que ficaram com a terapia padro, houve aumento progressivo da protena C-reativa. A funo respiratria melhorou para metade dos internados (oito, ou 50%) e 56% (nove dos 16) sobreviveram. Uma pessoa recebeu ventilao mecnica (6%).

 

Apesar de ter sido feita uma comparao entre grupos, no se trata de um estudo randomizado controlado, o padro-ouro dos ensaios clnicos, esclarecem os autores. Os 16 pacientes que tiveram dados usados como referncia foram internados antes da realizao do teste com os demais 29. Por isso, so necessrias mais pesquisas clnicas, com os grupos sendo submetidos aos diferentes tratamentos ao mesmo tempo, antes de validar o resultado.

 

Avano

 

Ainda assim, os autores comemoram o progresso dos pacientes tratados com anakinra. “Nosso estudo o primeiro a sugerir que uma alta dose do medicamento para artrite reumatoide possa ser capaz de bloquear a reao exagerada do sistema imunolgico causada pela covid-19. Os resultados so interessantes e a droga merece testes controlados em grandes ensaios randomizados”, diz um dos autores, Giulio Cavalli, da Unidade de Imunologia do San Raffaele. Ele lembra que a sndrome do desconforto respiratrio agudo (SDRA) a principal causa de morte pelo novo coronavrus.

 

Dos pacientes admitidos em unidades de terapia intensiva com covid-19 e SDRA, a taxa de mortalidade estimada varia de 28% a 78%. Como as citocinas em excesso inflamam as vias areas, os doentes no recebem oxigenao suficiente, tarefa que fica a cargo da ventilao mecnica. Porm, o nmero de pessoas que precisam de ventiladores maior do que o de pacientes. Cavalli destaca a urgncia em se descobrir um meio de normalizar a respirao, sem que o equipamento seja necessrio.

 

Apesar de terem sido usadas altas doses do medicamento, o estudo mostrou que a opo segura. Entre os efeitos colaterais, quatro pacientes (14%) apresentaram bacteremia (bactrias no sangue), em comparao com dois pacientes (13%) do grupo de tratamento padro. Trs internos faleceram. Um de embolia pulmonar, outro de insuficincia respiratria, e o terceiro por falncia mltipla de rgos. No grupo de comparao, foram sete bitos: trs por insuficincia respiratria, trs por falncia mltipla de rgos e um por embolia pulmonar.

 

Em um comentrio vinculado ao estudo e tambm publicado na The Lancet, Scott Canna (que no participou da pesquisa), do Centro Mdico da Universidade de Pittsburgh, diz: “Em vista da plausibilidade biolgica do anakinra, o perfil farmacocintico e de segurana do medicamento, alm de um crescente corpo de experincias positivas sobre o controle da tempestade de citocinas, esses dados so promissores e apoiam a priorizao dessa abordagem no planejamento e registro de ensaios clnicos randomizados.”

 

A coautora da pesquisa italiana Chiara Tassan Din ressaltou, em nota, a necessidade de investir em tratamentos que reduzam a inflamao dos pacientes. “Enquanto grande ateno tem sido focalizada, at agora, no controle viral, o controle da inflamao tambm crucial para o tratamento da covid-19. Isso parece ter nos permitido adiar ou evitar a intubao na maioria dos pacientes. Com base em nossos resultados promissores, essa abordagem pode ser considerada vivel e deve ser confirmada em ensaios controlados”, disse a infectologista.

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