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Brasil e o Mundo

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O trnsito de pessoas apontado como o principal fator de risco para o aumento da ocorrncia da doena (foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)

Enquanto alguns pases se fecham para achatar a curva de casos do novo coronavrus, outros retomam a rotina que viviam antes do surgimento da doena. No entanto, nenhum deles est livre da Covid-19. Sem vacina e medicamento com eficcia comprovada, naes que superaram a primeira onda de contgio temem enfrentar uma segunda. Especialistas ouvidos pelo Correio relacionam esse desdobramento da epidemia com o fim do isolamento social, a abertura de fronteiras e a falta de conhecimento das caractersticas do vrus — como o sistema imunolgico reage a ele. De acordo com infectologistas, o Brasil, apesar de ainda aguardar o primeiro pico de casos da doena, no est a salvo de um segundo estgio.

 

Valria Paes, infectologista e integrante da diretoria da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, explica que a partir do momento em que se relaxam as medidas, automaticamente, comeam a acontecer novos casos. “Alguns pases esto tentando voltar vida ‘normal’. Nessa tentativa, passam por esse desafio”, comenta. A especialista acrescenta que a nova onda de infeces pode se originar tambm com a abertura de fronteiras.

 

Werciley Junior, coordenador da Comisso de Controle de Infeco Hospitalar do grupo Santa Lcia, explica que a primeira onda pode tambm ser conhecida como etapa de massa, pois, se no fosse controlada, infectaria todo mundo. “Quando se faz uma medida como o isolamento, restringe-se a evoluo dessa onda e a intensidade dela. No entanto, no se elimina o vrus, mas se diminui a capacidade de propagao dele. Quando se libera as pessoas do isolamento, tem-se uma segunda onda”, explica. O mdico esclarece que, como todos so suscetveis ao vrus, a segunda onda contaminaria as pessoas poupadas na primeira.

 

A China, epicentro da Covid-19, um dos exemplos de pases que se preocupam com uma nova onda de contgio. A segunda leva de infectados pode ser reflexo da abertura de fronteiras somada ao relaxamento das medidas de conteno. Em 19 de maro, o pas asitico no registrou nenhum novo caso local da Covid-19. No entanto, verificaram-se 34 ocorrncias de infectados que vieram do exterior.

 

Coreia do Sul e Japo tambm voltaram a registrar novos casos. A ilha japonesa de Hokkaido um exemplo. Aps ver o nmero de casos cair, a regio suspendeu o estado de emergncia e, 26 dias aps a medida, teve de retomar o alerta por causa da nova onda de contgio.

 

Imunidade

 

O infectologista Leandro Machado acredita que um dos pontos centrais do problema a falta de conhecimento sobre a reao do sistema imunolgico dos infectados diante do vrus. “No sabemos o tempo de imunidade de quem se infectou. No sabemos se o vrus causa uma imunidade permanente ou uma imunidade prolongada. A gripe, por exemplo, tem uma mutao no vrus, ento a gente acaba tendo de se vacinar todo ano”, explica.

 

De acordo com os especialistas, acredita-se, at o momento, que uma pessoa que entrou em contato com o novo coronavrus no se contaminar uma segunda vez. No entanto, isso pode mudar, pois o conhecimento sobre a doena ainda novo e incerto. “Temos que lembrar que estamos analisando a doena h quatro meses, um perodo curto. Nesse incio, ainda no temos comprovao de que uma pessoa infectada pode se contaminar novamente. Mas, s vezes, esse paciente infectado anteriormente pode contrair o vrus depois de um ano ou um perodo mais longo, que ainda no estudamos”, ressalta. 

 

Liberao gradual para retomar atividades

 

Com tantas incertezas e sem uma soluo farmacolgica, uma das sadas a liberao escalonada, na qual as pessoas voltam a se expor lentamente, ganhando, aos poucos, proteo contra a infeco. O infectologista Werciley Junior explica que, se todos voltarem rotina de uma vez, poderemos ver o sobreuso do sistema de sade. “A ideia de fazer o isolamento justamente evitar sobrecarregar esse sistema. Se voltarmos todos de uma vez, isso pode acontecer”, avalia. O mdico explica que seria necessrio fazer uma imunizao da populao de forma lenta. Como a infeco no to leve quanto outras, no possvel que todos se contaminem ao mesmo tempo e se imunizem dessa forma.

 

Para ajudar a frear uma possvel segunda onda de casos, mscaras tm sido recomendadas. Apesar de a Organizao Mundial da Sade (OMS) afirmar que o “uso de mscaras no necessrio para pessoas que no apresentem sintomas respiratrios”, alguns pases tm aconselhado a utilizao do equipamento de proteo individual. O Brasil um deles. O Ministrio da Sade incentivou a fabricao de mscaras de pano para que as pessoas possam reutilizar. Alguns estados e municpios do pas tornaram obrigatria a proteo facial nas ruas.

 

Pesquisadores acreditam que o mundo conviver com o vrus durante uma longa fase. Alguns defendem que as medidas de distanciamento social sejam adotadas de forma intermitentemente at 2022. A infectologista Valria Paes ressalta que, de qualquer forma, sempre ser necessrio reforar as mesmas medidas de preveno. “So aprendizados que devem permanecer. Devem ficar cristalizados na cultura de todos. Lavar sempre as mos, ter lcool em gel na bolsa. Se estiver doente, no visitar pessoas idosas, no ir trabalhar.” (MEC). 

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Redação

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